Esta tarde, estava eu a olhar para uma sequência de números estranhamente baixa na minha mão, com um avião do Miguel Palma a pairar sobre a minha cabeça, quando sou incomodado, em boa hora, diga-se, por uma mensagem no telefone: “Pete no musicbox”
Na 5ª feira passada tinha um jogo de futebol, o destino não quis.
Na 6ª feira passada queria estar no Porto, o destino não quis.
Hoje à noite pensei estar em casa, o destino não quis.
O destino poderia ter sido diferente, mas eu também não quis.
Quando as coisas não são programadas o risco é maior, mas a surpresa e satisfação aumentam exponencialmente. Digamos que, surpreendentemente, um fim de tarde/início de noite previsivelmente calmo tornou-se numa enorme sequência de acontecimentos que não me deixaram indiferente.
Uma saída atribulada de Belém, uma passagem de 10 minutos por casa, um óptimo jantar num restaurante com nome de ex-banda portuguesa (sem Tim nem João Gil) a terminar no clímax de um concerto surpresa do músico/poeta PeteR Doherty acompanhado exclusivamente de uma guitarra eléctrica.
Para quem gosta de um concerto certinho, profissional e sem erros, este não foi o dia perfeito. Este não será certamente o músico ideal. Eu, pelo contrário queria vingar-me dos ingleses que podem assistir a estes momentos mais informais quase semanalmente nos pubs espalhados pelo país. Queria ser surpreendido, e fui.
O mesmo individuo que, com grande simplicidade, dizia há umas semanas atrás que o seu sonho era colocar uma música na cabeça das pessoas (propósito fundamental de uma música pop), apareceu no mesmo patamar de um qualquer ouvinte, a pedir palhetas à plateia, a interromper uma canção porque não estava a soar tão bem, a escolher o alinhamento ao sabor do público, do álcool e do filme projectado nas suas costas.
Pela primeira vez vi um “gajo” inacessível a chamar toda a gente ao palco para cantar consigo.
A cantar os parabéns à Joana Ferreira, que deve conhecer tão bem como eu. A interromper o concerto para explicar a um “puto” de 20 anos como é que se toca a sua própria música. A gritar em alto e bom som, sem que ninguém o oiça, “eu sou uma pessoa, como tu e como todos os outros que aqui estão”.
O destino ofereceu-me bons momentos com bons amigos, uns acordes, um autógrafo, uma foto… mas muito mais do que isso. O quê? Também não sei responder para já, mas sei que sim…
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