Todos nós fomos, nem que por um ínfimo milésimo de segundo, a criatura mais nova no planeta. Não é sorte. É destino. É um momento único e irrepetível em que sintetizamos um grau absoluto – o da juventude – para nos consagrarmos inequivocamente “o mais” (novo). E daí não resulta expressão de coisa nenhuma...
Provavelmente, para a maioria de nós, é a circunstância única em que fomos aquele que sintetizou em si um grau absoluto do que quer que seja de forma tão consensual, pois esta não é uma opinião. É um facto.
Mas a história que vos conto, a de Uri, é aquela do homem que repetiu o feito, pois também ele já havia sido “o mais” no momento em que veio ao mundo, mas voltou a sê-lo quando resumiu em si todos os anos de música para os fazer explodir nas pontas dos seus dedos. E cantou o barroco, na sua maior expressão através do seu mestre, já ele síntese de tudo o que havia para trás, e levou-o ao encontro do clássico e do romântico, arrastando-o pelo século dezanove, para juntos descobrirem o século de maiores mudanças, no jazz e nos blues, na bossa, no tango, numa viagem pelos tempos e pelos lugares, provando que a música não está mais contida no tempo ou no espaço. E pensou,
Faço hoje o que nunca ninguém pôde fazer antes de mim.
Sou hoje aquilo que nunca ninguém pôde ser antes de mim.
Escrevo hoje aquilo que nunca ninguém pôde escrever antes de mim.
E possuído por este pensamento fabuloso, que fazia dele dono absoluto de tudo o que tinha sido, contraiu-se no mais pequeno e denso ser que os seus limites físicos lhe proporcionavam para se constituir fundação de uma cultura que quisesse crescer por cima dele. E assim lançou o futuro.
E fê-lo para se consagrar, num espaço que não existe, a síntese total.
sabato 25 aprile 2009
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