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cada vez + me sinto 0-
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e não consigo perceber se isso é positivo ou negativo...
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lunedì 18 maggio 2009
mercoledì 13 maggio 2009
Fábula II: Onu, materialização de um livro
Onu tinha por hábito guardar sempre uma cópia das cartas que escrevia.
Um dia, por acaso, ou por engano, encontrou uma velha carta que releu e pela qual foi insultado.
Não se revia nas ideias escritas e pensou:
Sou hoje o mesmo Onu que era quando escrevi esta carta?
Não!
E assustou-se. Imaginou-se desdobrado em infinitos Onus, cada qual reflexo de um qualquer pensamento contemporâneo e percebeu-se infinitamente desdobrável num mundo cheio de Onus, cada um com as suas especificidades, contraditórios e incompatíveis, alguns, reflexo daquilo que ambicionava ser, outros, materialização das suas mais seguras negações. E compreendeu que eram as palavras escritas que possibilitavam a existência destes múltiplos Onus e decidiu-se a nunca mais na sua vida escrever uma carta que fosse.
Deixou de escrever no papel, para escrever na sua cabeça e rapidamente descobriu em si uma memória inesgotável que o maravilhou.
Começou por escrever cartas que lia e relia para trás e para a frente com a facilidade com que faria se as tivesse escritas em papel diante do seu nariz.
E tamanha foi a sua felicidade ao descobrir este dom, que não só deixou de escrever cartas, como pura e simplesmente deixou de escrever o que quer que fosse em papel. E memorizou.
Memorizou as listas do supermercado. Memorizou as anotações que anteriormente fazia no caderno que o acompanhava. Memorizou as palavras cruzadas e percebeu que assim mais rapidamente as acabava. E a sua memória revelava-se um poço sem fundo.
Decidiu-se então a levar a memória ao limite daquilo que conseguia imaginar e começou a escrever um livro que todos os dias relia na sua cabeça. E como era bonita a história que escrevia!
Relia capítulo atrás de capítulo e deleitava-se com a beleza do que contava e com a eloquência das palavras que escolhia.
Mas a memória que usava para guardar tão bela história, substituía aquela que servia para a realização das actividades mais triviais do dia a dia. Começou a ter dificuldades em coordenar os braços e as pernas e começou a deixar de conseguir fazer desportos. Já não conseguia correr. Já não conseguia nadar. Já não conseguia cozinhar. Já não conseguia arrumar a casa.
E quanto mais movimentos perdia, mais bonito se tornava o livro que escrevia e mais se aproximava do fim.
E mais limitado se tornava Onu. Já não se conseguia equilibrar. Já não conseguia tomar banho. Já não conseguia andar. Já não conseguia sequer sair da cama. E foi internado num hospital, sob o risco de morrer de fome, porque já não fazia movimento nenhum.
E foi passado pouco tempo que a história chegou ao fim, pois quem o viu no seu último momento contou que o último gesto que fez foi o esboçar de um sorriso de profundo contentamento.
Onu tinha-se materializado livro!
Um dia, por acaso, ou por engano, encontrou uma velha carta que releu e pela qual foi insultado.
Não se revia nas ideias escritas e pensou:
Sou hoje o mesmo Onu que era quando escrevi esta carta?
Não!
E assustou-se. Imaginou-se desdobrado em infinitos Onus, cada qual reflexo de um qualquer pensamento contemporâneo e percebeu-se infinitamente desdobrável num mundo cheio de Onus, cada um com as suas especificidades, contraditórios e incompatíveis, alguns, reflexo daquilo que ambicionava ser, outros, materialização das suas mais seguras negações. E compreendeu que eram as palavras escritas que possibilitavam a existência destes múltiplos Onus e decidiu-se a nunca mais na sua vida escrever uma carta que fosse.
Deixou de escrever no papel, para escrever na sua cabeça e rapidamente descobriu em si uma memória inesgotável que o maravilhou.
Começou por escrever cartas que lia e relia para trás e para a frente com a facilidade com que faria se as tivesse escritas em papel diante do seu nariz.
E tamanha foi a sua felicidade ao descobrir este dom, que não só deixou de escrever cartas, como pura e simplesmente deixou de escrever o que quer que fosse em papel. E memorizou.
Memorizou as listas do supermercado. Memorizou as anotações que anteriormente fazia no caderno que o acompanhava. Memorizou as palavras cruzadas e percebeu que assim mais rapidamente as acabava. E a sua memória revelava-se um poço sem fundo.
Decidiu-se então a levar a memória ao limite daquilo que conseguia imaginar e começou a escrever um livro que todos os dias relia na sua cabeça. E como era bonita a história que escrevia!
Relia capítulo atrás de capítulo e deleitava-se com a beleza do que contava e com a eloquência das palavras que escolhia.
Mas a memória que usava para guardar tão bela história, substituía aquela que servia para a realização das actividades mais triviais do dia a dia. Começou a ter dificuldades em coordenar os braços e as pernas e começou a deixar de conseguir fazer desportos. Já não conseguia correr. Já não conseguia nadar. Já não conseguia cozinhar. Já não conseguia arrumar a casa.
E quanto mais movimentos perdia, mais bonito se tornava o livro que escrevia e mais se aproximava do fim.
E mais limitado se tornava Onu. Já não se conseguia equilibrar. Já não conseguia tomar banho. Já não conseguia andar. Já não conseguia sequer sair da cama. E foi internado num hospital, sob o risco de morrer de fome, porque já não fazia movimento nenhum.
E foi passado pouco tempo que a história chegou ao fim, pois quem o viu no seu último momento contou que o último gesto que fez foi o esboçar de um sorriso de profundo contentamento.
Onu tinha-se materializado livro!
martedì 12 maggio 2009
Magic.Music.Box
Esta tarde, estava eu a olhar para uma sequência de números estranhamente baixa na minha mão, com um avião do Miguel Palma a pairar sobre a minha cabeça, quando sou incomodado, em boa hora, diga-se, por uma mensagem no telefone: “Pete no musicbox”
Na 5ª feira passada tinha um jogo de futebol, o destino não quis.
Na 6ª feira passada queria estar no Porto, o destino não quis.
Hoje à noite pensei estar em casa, o destino não quis.
O destino poderia ter sido diferente, mas eu também não quis.
Quando as coisas não são programadas o risco é maior, mas a surpresa e satisfação aumentam exponencialmente. Digamos que, surpreendentemente, um fim de tarde/início de noite previsivelmente calmo tornou-se numa enorme sequência de acontecimentos que não me deixaram indiferente.
Uma saída atribulada de Belém, uma passagem de 10 minutos por casa, um óptimo jantar num restaurante com nome de ex-banda portuguesa (sem Tim nem João Gil) a terminar no clímax de um concerto surpresa do músico/poeta PeteR Doherty acompanhado exclusivamente de uma guitarra eléctrica.
Para quem gosta de um concerto certinho, profissional e sem erros, este não foi o dia perfeito. Este não será certamente o músico ideal. Eu, pelo contrário queria vingar-me dos ingleses que podem assistir a estes momentos mais informais quase semanalmente nos pubs espalhados pelo país. Queria ser surpreendido, e fui.
O mesmo individuo que, com grande simplicidade, dizia há umas semanas atrás que o seu sonho era colocar uma música na cabeça das pessoas (propósito fundamental de uma música pop), apareceu no mesmo patamar de um qualquer ouvinte, a pedir palhetas à plateia, a interromper uma canção porque não estava a soar tão bem, a escolher o alinhamento ao sabor do público, do álcool e do filme projectado nas suas costas.
Pela primeira vez vi um “gajo” inacessível a chamar toda a gente ao palco para cantar consigo.
A cantar os parabéns à Joana Ferreira, que deve conhecer tão bem como eu. A interromper o concerto para explicar a um “puto” de 20 anos como é que se toca a sua própria música. A gritar em alto e bom som, sem que ninguém o oiça, “eu sou uma pessoa, como tu e como todos os outros que aqui estão”.
O destino ofereceu-me bons momentos com bons amigos, uns acordes, um autógrafo, uma foto… mas muito mais do que isso. O quê? Também não sei responder para já, mas sei que sim…
Na 5ª feira passada tinha um jogo de futebol, o destino não quis.
Na 6ª feira passada queria estar no Porto, o destino não quis.
Hoje à noite pensei estar em casa, o destino não quis.
O destino poderia ter sido diferente, mas eu também não quis.
Quando as coisas não são programadas o risco é maior, mas a surpresa e satisfação aumentam exponencialmente. Digamos que, surpreendentemente, um fim de tarde/início de noite previsivelmente calmo tornou-se numa enorme sequência de acontecimentos que não me deixaram indiferente.
Uma saída atribulada de Belém, uma passagem de 10 minutos por casa, um óptimo jantar num restaurante com nome de ex-banda portuguesa (sem Tim nem João Gil) a terminar no clímax de um concerto surpresa do músico/poeta PeteR Doherty acompanhado exclusivamente de uma guitarra eléctrica.
Para quem gosta de um concerto certinho, profissional e sem erros, este não foi o dia perfeito. Este não será certamente o músico ideal. Eu, pelo contrário queria vingar-me dos ingleses que podem assistir a estes momentos mais informais quase semanalmente nos pubs espalhados pelo país. Queria ser surpreendido, e fui.
O mesmo individuo que, com grande simplicidade, dizia há umas semanas atrás que o seu sonho era colocar uma música na cabeça das pessoas (propósito fundamental de uma música pop), apareceu no mesmo patamar de um qualquer ouvinte, a pedir palhetas à plateia, a interromper uma canção porque não estava a soar tão bem, a escolher o alinhamento ao sabor do público, do álcool e do filme projectado nas suas costas.
Pela primeira vez vi um “gajo” inacessível a chamar toda a gente ao palco para cantar consigo.
A cantar os parabéns à Joana Ferreira, que deve conhecer tão bem como eu. A interromper o concerto para explicar a um “puto” de 20 anos como é que se toca a sua própria música. A gritar em alto e bom som, sem que ninguém o oiça, “eu sou uma pessoa, como tu e como todos os outros que aqui estão”.
O destino ofereceu-me bons momentos com bons amigos, uns acordes, um autógrafo, uma foto… mas muito mais do que isso. O quê? Também não sei responder para já, mas sei que sim…
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