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1848
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1910
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1952
Nasceu de novo. Naturalmente desconhecendo o facto, voltou a aprender a comer, a andar, a falar, e novamente foi criando a sua personalidade ao longo dos anos. Um rapaz conflituoso e rebelde, que poderia ser definido por uma palavra: Revolta. Revolta consigo próprio e com a realidade em que estava inserido e à qual não queria pertencer.
Filho único de uma família pobre, já com mais de dez anos tinha de sujeitar-se ao trabalho duro do campo na companhia do seu pai. Nos tempos livres aproveitava para ler, escrever e ouvir musica, pois achava ser a melhor maneira de se refugiar num mundo interior, esquecendo ainda que momentaneamente o mundo exterior que tanto o revoltava.
Pedro era um rapaz inteligente e queixava-se sobretudo da falta de oportunidades que a vida lhe proporcionara. Nos momentos de maior revolta, a sua rebeldia vinha ao de cima e por vezes desaparecia durante um ou dois dias sem deixar qualquer rasto, outras vezes rasgava e pintava as fardas militares que a mãe passava todos os dias a costurar numa luta inglória contra as artroses. Embora soubesse que os pais faziam tudo para lhe dar uma vida melhor, via naqueles actos irreflectidos, a única maneira de manifestar aquilo que sentia.
Todos os dias saía de casa com as suas calças justas e t-shirts queimadas pela violência do sol. Também o chapéu fazia sempre parte do seu visual “forçado” que tanto odiava. Mas, como era habitual, saía de casa com o livro debaixo do braço para entrar no seu mundo preferido. Aproveitava sempre para se ausentar durante os poucos minutos da viagem até ao local onde iria passar longas horas de trabalho.
Quando chegava a casa, depois de um merecido banho, ia escolher da sua pequena mas dedicada colecção, qual o vinil a ser tocado pela agulha do giros discos. Normalmente escolhia o “Sgt. Pepper’s”, ou o “Tommy”. Depois de jantar, e antes de dormir, desenhava e escrevia mais um pouco no seu diário pessoal, maioritariamente preenchido com poemas, seus e dos seus autores preferidos.
Um dia, Pedro tomou uma decisão difícil, partiu sozinho e nunca mais foi visto…
1979
Nascido no seio de uma família inglesa, Mike era um pequeno rapaz com duas irmãs, uma mais nova e outra mais velha. A mãe era uma conceituada professora de línguas e o pai tinha um cargo elevado na Força Aérea, local onde o jovem passava grande parte do seu tempo a tocar guitarra, depois das aulas.
Não era a primeira vez que vinha ao mundo, embora em roupas sempre diferentes e que não poderia mudar nunca. Algo de estranho aconteceu desta vez, e Mike apercebeu-se disso numa fase em que estava ainda a construir a sua personalidade.
Tinha luzes sobre o seu passado “recente”, e isso levou-o a interessar-se cada vez mais por aquilo que de forma consciente ou inconsciente fazia recordar-se de si próprio.
Adorava as fardas vermelhas com botões dourados que via constantemente enquanto esperava pelo pai. Tinha como discos de eleição “Sgt. Pepper’s”, “Revolver”, “My Genaration” ou “Ogden's Nut Gone Flake”, e rapidamente adoptou o visual que antes odiava, mas que agora o divertia e fazia sentir-se bem. Olhava orgulhoso para as suas t-shirts velhas e o chapéu de feltro.
Adorava ler e escrever, e por isso mesmo, depois de concluir com êxito a escolaridade mínima, optou por mudar-se para uma cidade maior com universidades de Literatura.
Passou a viver numa casa alugada, longe da família mas perto de Frank, um rapaz com o mesmo objectivo e com quem viria a criar uma amizade para a vida.
Tinham bastante em comum, desde o motivo que os unira, o curso de literatura, ao gosto pela música, pela arte, por nomes como Emily Dickinson, Oscar Wilde ou Pete Townshend e até mesmo na personalidade. Ambos eram bastante irreverentes, embora Mike guardasse dentro de si um espírito mais rebelde e conflituoso que por vezes se tornava prejudicial e o levava por caminhos errados.
Não foi preciso muito tempo até começarem a dedicar parte do seu talento à escrita de canções tocadas e cantadas pelos próprios. Aquilo que inicialmente era um hobbie passou a tornar-se algo mais serio, e quando Mike comprou a sua Rickenbacker foi a confirmação. Abandonaram os estudos de forma prematura, mas agarraram-se de corpo e alma a um projecto que queriam levar até ao fim.
O sucesso local que os “debauched” começavam a ganhar em pequenos pubs depressa ganhou outra dimensão. Ao contrário do que sucedera no passado, agora Mike tinha tudo para vencer, desta vez dependia apenas de si.
Ao fim de 4 anos, a fama que a banda conquistava parecia já não ser suficiente para esconder os problemas de álcool e drogas que tinham possuído alguns elementos da banda. A qualidade das músicas, porem, não diminuía, antes pelo contrário.
Mike começou a faltar a alguns ensaios.
Mike começou a faltar a alguns concertos.
Mike começou a dar mais importância às drogas.
Mike assaltou a casa de Frank.
Frank decidiu terminar com tudo o que tinham construído.
Mike tomou uma decisão difícil, partiu sozinho e nunca mais foi visto…
2008
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