Aquele suspiro dizia tudo. Mais um olhar para o céu, mais um momento em que o vento levava as palavras ditas a um só tom.
A sua vida era um autêntico quadro cubista, uma realidade desconjuntada, aparentemente perfeita, onde algo não batia certo.
“É só mais um dia”, pensava ela novamente.
Só mais um entre tantos outros, à espera da palavra errada, do dia P, do momento certo para dizer a toda a gente aquilo que a faria bater com a cabeça de tal modo que poderia nunca mais voltar a cair.
E só quando sentiu o seu mundo a tremer, a dividir-se em dois, tendo um pé de cada lado, percebeu como estava sozinha.
Um dia era apenas mais um mês. Uma conversa só mais um monólogo, uma viagem só mais um sonho, uma foto só mais um espelho vazio a contrastar com a mente.
Após várias ameaças, as fundações começaram a ceder. Caiu pela primeira vez ao fim de mais de duas décadas. Percebeu finalmente que há várias maneiras de morrer e não era esta aquela que tinha idealizado.
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